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“Pôr as raposas a tomar conta dos galinheiros” é aquele saber milenar que essas palavras há muito tempo codificaram em património imaterial.
É o que está a acontecer com o Património.
Puseram os arquitectos a tomar conta do Património (incluindo as paisagens, monumentos, sítios, museus, urbes, etc.). O resultado é o que está à vista. Programados para construírem, para terem o seu ganha-pão
desse modo, o que se poderia esperar? Foram lá metidos para isso; para a indústria de construção não ter problemas com o Património. Destruir e arrasar para construir é o objetivo. Os crimes lesa-Património sucedem-se à velocidade da especulação imobiliária
pressionada pelo turismo de massas.
Não há ética, valor, sentido ou relevância que valha à ganância… É a actual
Vida. Aqui em Lisboa é, agora, assim.
Numa mensagem anterior tínhamos referido o caso da
Casa Frazão. Agora é a Joalharia Correia.
O jovem João Pedro Pincha, também ficou ferido por esse destino cruel (até fico surpreendido e feliz por um jovem, que viveu pouco esse extraordinário ritual de ir à Joalharia Correia, sentir esse sofrimento pela
perda dessa memória colectiva).
Saberão contar quantas prendas os namorados e as namoradas ofereceram, vindas dali? Quantas amizades e amores estão incrustados nesses
objetos da Joalharia Correia, que permanecem na memória e nas casas de milhares de Pessoas?
Os arquitetos e os construtores civis vão criar mais um embrulho que servirá ao negócio e aos
curriculae. Uma mentira disfarçada por um discurso estético, relativista e pós-moderno, que não é mais do que um embuste.
Escreveu ele:
Pedro Manuel-Cardoso |
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