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[Museum] Quando põem arquitectos no Património a destruição demora sempre pouco

Subject :   [Museum] Quando põem arquitectos no Património a destruição demora sempre pouco
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Tue, 30 Oct 2018 18:53:49 +0000

 

“Pôr as raposas a tomar conta dos galinheiros” é aquele saber milenar que essas palavras há muito tempo codificaram em património imaterial.

 

É o que está a acontecer com o Património.

 

Puseram os arquitectos a tomar conta do Património (incluindo as paisagens, monumentos, sítios, museus, urbes, etc.). O resultado é o que está à vista. Programados para construírem, para terem o seu ganha-pão desse modo, o que se poderia esperar? Foram lá metidos para isso; para a indústria de construção não ter problemas com o Património. Destruir e arrasar para construir é o objetivo. Os crimes lesa-Património sucedem-se à velocidade da especulação imobiliária pressionada pelo turismo de massas.

 

Não há ética, valor, sentido ou relevância que valha à ganância… É a actual Vida. Aqui em Lisboa é, agora, assim.

 

Numa mensagem anterior tínhamos referido o caso da Casa Frazão. Agora é a Joalharia Correia.

 

O jovem João Pedro Pincha, também ficou ferido por esse destino cruel (até fico surpreendido e feliz por um jovem, que viveu pouco esse extraordinário ritual de ir à Joalharia Correia, sentir esse sofrimento pela perda dessa memória colectiva).

 

Saberão contar quantas prendas os namorados e as namoradas ofereceram, vindas dali? Quantas amizades e amores estão incrustados nesses objetos da Joalharia Correia, que permanecem na memória e nas casas de milhares de Pessoas?

 

Os arquitetos e os construtores civis vão criar mais um embrulho que servirá ao negócio e aos curriculae. Uma mentira disfarçada por um discurso estético, relativista e pós-moderno, que não é mais do que um embuste.

 

Escreveu ele:

“Com o discreto encerramento da Joalharia Correia, fecha-se também uma história lisboeta. Na semana passada, enquanto turistas acalorados se encavalitavam nas escadas para entrar no elevador de Santa Justa e um guitarrista de ocasião ia debitando melodias a quem passava, havia na Joalharia Correia uma azáfama silenciosa. O gradeamento verde das montras estava corrido até ao fundo e a porta apenas entreaberta. Não era para ninguém entrar: a joalharia fechou.” (João Pedro Pincha)

 

Pedro Manuel-Cardoso

 





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