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Agradeço as generosas palavras de Isabel Luna.
Sendo assim, talvez pudéssemos partilhar um pouco mais.
Também desde o início, mesmo antes de iniciar os estudos académicos em antropologia, nos idos anos de 1980 na UNL, a preocupação com
o factor «Corpo» foi um fio condutor das minhas preocupações. Em 1990 estabelecemos uma relação estreita com o CNRS através de Bernard Koechelin (o
Anexo 1 que junto é uma relíquia desses idos tempos, em que não havia computadores nem Internet, e os textos tinham que fazer viagens longas). Em 1994 fundámos o
Museu da Gestualidade (Escritura Notarial em 24/09/1993; publicado no Diário da República, III.ª série, n.º 68, de 22/03/1994). E depois esse
caminho prosseguiu pela ajuda que o Museu Nacional do Desporto e o Comité Olímpico de Portugal me têm pedido para os seus projetos
museológicos. Pelo projeto «Arte e Gesto» que apresentámos à CML em 10dez2003. Pelo «Protocolo de Investigação da Gestualidade Humana»
registado em 11março2013 no IGAP. Até aos convites que deram origem à minha intervenção em 19abril2016 na Assembleia da República e na Faculdade de Motricidade Humana,
integradas nas comemorações do
Dia Internacional dos Monumentos e Sítios 2016 subordinado ao tema “Desporto, Um Património Comum”. E mais recentemente, neste mês de Outubro, no debate que a Oficina Žylěch promoveu
a propósito da minha proposta para a implementação do «Museu Omnipresente» (enquanto modelo de reformulação dos processos de comunicar o Património).
A questão tinha sido discernida há muito tempo. Até há muito mais do que as referências que mencionei na mensagem anterior. Por exemplo, em 1950, por C. Lévi-Strauss:
O «Corpo», este nosso corpo, é o mediador a que estamos condenados pela Natureza. Logo, a «condição» a que estamos sujeitos no processo de percepcionar, interpretar e compreender o Património. Nesse volume
da Wenner-Gren, esse esquecimento do «corpo» como mediador, não faz mais do que remeter para essa velha questão que as actuais tecnologias
imersivas continuam a não conseguir resolver.
Mais recentemente, neste mês de Outubro 2018, no debate que a Oficina Žylěch promoveu
a propósito da minha proposta para a implementação do «Museu Omnipresente» (enquanto modelo de reformulação dos processos de comunicar o Património) falámos outra vez dessa questão.
A «Condição Humana» (esse factor que subjaz e interfere em tudo o que o ser-humano intervém) para ser algo objetivo e concreto, e sujeito ao escrutínio científico e lógico, tem que ser explicitada. É esse
contributo que tentei dar, através da formulação daquilo que designei por “Modelo Antropológico do Comportamento Humano” (2012, UNL e UL). Porque não basta “pensarmos”, como se de uma sensação ou de um acto automático se tratasse, sem nos obrigarmos
a explicitar o modelo pelo qual o fazemos. Foi esse erro e essa lacuna que demorou a ultrapassar até o início do séc. XXI nas ciências sociais e humanas.
No Anexo 2 junto esse tal
Modelo, em que são consideradas «quatro Variáveis e três Descontinuidades» desse «Processo Humano», isto é, dessa «Condição Humana» a que não podemos fugir. E que intervém na percepção e compreensão de qualquer tipo de Património em qualquer
tipo de Museu. Concretamente as etapas biofisiológicas, sociais e culturais desse processo de mediação, pelo qual, do
Corpo se passa à Atribuição do Significado (finalidade, valor, sentido, relevância/património).
O Modelo está aplicado ao caso dos recentes projetos museológicos e patrimoniais do Museu Nacional do Desporto e do Comité Olímpico de Portugal, por me terem sido recentemente pedidos. Mas pode ser facilmente
ser generalizado.
Nesse Modelo poder-se-á ver como isso intervém na
definição do Projeto Museológico, e obriga a arquitectura/design a seguirem a definição do
programa preliminar de instalação nos cadernos de encargos e no concurso público, e a configuração dos espaços da
Exposição Permanente.
A «condição humana» de percepção e compreensão mediada pelo corpo-humano é o factor que está sempre ausente nos atuais projetos de Museus e de interpretação
do Património. Substituída por essa «imersividade à la carte», decidida por arquitectos, designers e outros interventores, sem respeitar esse factor antropológico que é decisivo para os Visitantes compreenderem o valor patrimonial dos Objetos, e a sua
singularidade histórica e cultural (humana). Basta consultar os documentos dos Concursos Públicos para a implementação de Museus nos últimos anos em Portugal.
O Museu Omnipresente que propus, chama a atenção para a mudança nos processos de comunicar o Património que estão a ocorrer no presente. E para os quais se torna imprescindível esta questão. Porque
obrigariam a reformular uma parte significativa da atual política pública de património e museus
É para esse debate e essa reflexão que talvez seja útil partilhar esta mensagem.
Pedro Manuel-Cardoso
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Biblio PMC Modelo do Agir Humano Modelo das 4 Variáveis e 3 Descontinuidades.pdf
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Museu da Gestualidade 1993 Geste et Image CNRS.pdf
Description: Museu da Gestualidade 1993 Geste et Image CNRS.pdf
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