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Não são Outros que cá chegaram vindos de uma migração, são os
Mesmos que já cá estavam desde o início.
… A pragmática da Verdade:
Nas mensagens Museum n.º16297/12dez2016 e n.º16397/8jan2017 tínhamos referido o erro de interpretação dos dados arqueológicos e etnográficos sobre a explicação que davam para a evolução humana.
Concretamente, o modo como explicavam a passagem de erectus, a neanderthalensis e a
sapiens (para abreviar os outros estádios intermédios desde homo).
A primeira vez que formulámos e demonstrámos publicamente essa evidência ocorreu em 3dezembro2016 na Conferência a convite da
Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE). Tínhamo-lo feito anteriormente por duas vezes, em
2011, no rescaldo do curso de doutoramento em antropologia, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (UNova) no “Manifesto Contra a Antropologia Silenciada”; e na apresentação da “Teoria do Fazer” na Faculdade de Letras (ULisboa) no pós-doutoramento
que intitulámos “A Cultura perante o Património”.
Ainda hoje a arqueologia e a antropologia continuam a insistir nesse erro, apesar dos dados recentes o estarem a negar com maior evidência. Por exemplo, continuamos a ver João Zilhão sem saber interpretar a evidência
dos importantes dados que encontrou no terreno. Continuam a procurar a explicação para a evolução humana numa pretensa migração, num suposto empréstimo, numa utópica aculturação, num qualquer difusionismo. Por mais modelos matemáticos que usem, por mais análises
ao ADN que ponham os computadores a decifrar, o impasse (e a consciência dele) não os sossegam. As tentativas do socio-darwinismo, da etnobiologia ou da epigenética são tentativas que não acrescentam nada ao evitamento do erro.
Essa negação da evidência dos factos talvez seja mais ideológica do que cientifica.
Ou seja, continuam a procurar,
a priori, nos vestígios arqueológicos e etnográficos a corroboração de uma ideia (teoria) equivocada.
É o próprio Darwin que aceita essa fragilidade, afirmando no final da vida que é apenas um “argumento”, não uma certeza ou verdade comprovada:
Em 2016 reafirmei,
Razão pela qual se está novamente a acender o conflito entre ideia (religião) e prática (vida).
O QUE É QUE OS DADOS MOSTRAM?
Mostram que não vieram de fora, transformaram-se de dentro do
mesmo.
Não são outros que cá chegaram vindos de uma migração, são os
mesmos que já cá estavam desde o início.
O sapiens não veio até ao
neandertal, ou o neandertal até ao erectus. Foi de dentro do
Mesmo que nasceram os Outros.
Não veio ninguém de fora, numa canoa mística, numa viagem migratória, ou numa sucessiva adaptação e competição.
Transformaram-se de dentro. Germinaram de cá de dentro da casa/corpo.
Pedro Manuel-Cardoso
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