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Ter-se-á a noção da riqueza e da diversidade dos sítios e monumentos arqueológicos existentes em Portugal? Mesmo em comparação com outros países maiores e mais ricos? Porque essa
vantagem comparativa não é exponenciada, e tornada uma prioridade na Política Pública do Património na próxima década? Onde está inscrita essa vontade no
Orçamento do Estado e no recente Plano de Recuperação de Portugal aprovado pela União Europeia?
Uma qualquer
Política Pública de Património, seja em que país for, tem a ver com a definição de prioridades e com a hierarquia das acções de gestão.
No último debate ocorrido em 30 de julho de 2020 (ver
Mensagem n.º 21393 / http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg21393.html)
no Ciclo de Conferências “O PRÓXIMO MUSEU”, subordinada ao tema “A mudança
na estrutura afetivo-emocional associada aos Objetos Patrimoniais”, discutimos essa questão, das prioridades na atual
Política Pública de Património. Houve uma quase unanimidade no que se refere à Arqueologia.
Essa “mudança
na estrutura afetivo-emocional associada aos Objetos Patrimoniais”, bem visível na fruição dos
Objetos Bit pelos Visitantes (Pessoas), foi exponenciada pelo efeito do confinamento e pela forte aposta na presença digital
online.
Essa alteração tem, doravante, implicações na gestão do Património e na sustentabilidade dos recursos financeiros que o Estado coloca ao dispor da
Política Pública de Património. Infelizmente, verificamos que esta realidade não é considerada, e, até, menosprezada na formulação dessa Política. Basta analisar os Orçamentos, e constatar a recusa em Reformar a Administração Pública responsável pela
execução dessa Política.
Razão pela qual, deixamos aqui a seguinte proposta: A prioridade no investimento, na próxima década, deve ser dada à
Arqueologia. Concretamente, fazer com que Portugal ofereça, a nível nacional e internacional, uma
Rota de Excelência dos Sítios e Monumentos Arqueológicos existentes em Portugal.
Essa
Rota (exigindo um investimento superior a 300 milhões de euros, e um conjunto de parcerias com os Municípios, universidades e empresas privadas, a retirar do Plano de Recuperação do País recentemente aprovado pela União Europeia), não apenas ajudaria
a acrescentar valor à marca Portugal, como também contribuiria para reconstruir a
Identidade e a História humana ocorrida na Península Ibérica.
Pedro Manuel-Cardoso
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