No filme “Catembe”, o realizador moçambicano Faria de Almeida filma o ambiente da Maputo colonial (antiga Lourenço Marques), focando-se no bairro pobre da Catembe. Estreado em 1965, este foi um filme profusamente censurado: a sua representação da vida quotidiana na capital de Moçambique não se conformava à imagem que a administração portuguesa e a sua propaganda desejavam transmitir da sociedade por si governada. Como na Exposição “Fintar a Vida. Caniço, Futebol e o Estado Novo”, este é um filme que, assumindo um registo de proximidade, salienta as divisões profundas entre o centro da cidade branca e os subúrbios africanos. A apresentação, nesta sessão, dos excertos censurados deste filme constitui o mote para um debate acerca da centralidade do controlo da informação e das representações para a reprodução de uma ordem política colonial, algo que se encontra também presente em muitas narrativas sobre a vida de futebolistas moçambicanos. Partindo do visionamento dos excertos cesurados do filme, a sessão de debate contará com os contributos de Nuno Domingos, curador da exposição, e de Rita Luís e Rui Lopes, investigadores no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa. No final da sessão, haverá uma visita guiada à exposição “Fintar a Vida. Caniço, Futebol e o Estado Novo“, pelo curador Nuno Domingos. Entrada livre (sujeita à lotação da sala) |