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[Museum] Museu do Ser Humano: Análise à Linguagem e às Narrativas em património e museus.

To :   museum <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Museu do Ser Humano: Análise à Linguagem e às Narrativas em património e museus.
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Sun, 7 May 2023 10:48:03 +0000

 

 

MUSEU DO SER-HUMANO

reunião preparativa do projecto, 7 maio 2023

 

Análise à linguagem e às narrativas humanas em património e museus

Quando nas palavras e nas narrativas ocorre uma simetria, que provoca que se cancelam umas às outras, surge o fim de uma época e de uma mentalidade e o dealbar de um novo paradigma?

 

coord. Pedro Manuel-Cardoso

 

Oficina do Impronuncialismo, Campo Grande, Lisboa

7 maio 2023

 

 

            O Museu do Ser-Humano prossegue as reuniões preparativas do Projeto.

            Hoje, dia 7 de maio de 2023, na ‘Oficina do Impronuncialismo’ no Campo Grande, em Lisboa, o tema debatido foram as linguagens e as narrativas humanas usadas nos museus (e instituições congéneres equiparadas, de acordo com a definição do ICOM) e em Património.

            A análise centrou-se, no facto de se constatar uma simetria entre o que as mesmas pessoas (instituições, culturas, pessoas, países) diziam e escreviam no passado, e o que dizem e escrevem hoje (sobretudo, desde os anos de 1970 até à atualidade, quando surgiu o Interpretativismo e o Relativismo em ciências sociais e humanas).

            De facto, é surpreendente, como as mesmas pessoas (culturas, países, instituições) dizem o inverso do que diziam antes. O ‘sim’ é cancelado pelo ‘não’, e vice-versa.

            Esta estrutura simétrica, isomorficamente inversa (que o comportamento humano evidencia no uso das linguagens e narrativas), constitui um ‘Objeto’ válido para integrar o acervo do Museu do Ser Humano.

            E, através dele, mostrar aos Visitantes como esta simetria (realizada pelos mesmos) é capaz de anular «o que se diz e escreve, antes», com «o que se diz e escreve, depois» e vice-versa.

            Este mecanismo (inscrito na Natureza do comportamento humano) funciona como uma espécie de saturação e aniquilamento de uma determinada mentalidade, visão e concepção do mundo (e do Real). É sinal, talvez, de que um paradigma está prestes a desaparecer (1 – 1 = 0). Abrindo a porta, porventura, à possibilidade de um ‘novo Objeto’, mais adequado aos desafios de adaptação e sobrevivência do ser-humano numa nova etapa evolutiva e numa nova época histórica.

            De facto, nos atuais museus e no discurso patrimonial, assistimos ao desfile de um rol de palavras e conceitos, tais como: «liberdade, género, transgénero, colonialismo, descolonização, escravatura, nacionalismo, nacionalidade, opressão, desigualdade, etnicidade, globalização, neoliberalismo, imperialismo, totalitarismo, verdade, miscigenação, hibridação, emblematização, grupismo, agencialidade, identidade, história, realismo, desconstrução, pluralidade, local, relativismo, propriedade, autoria, origem, etc.». Um rol sem fim de palavras, interpretações e frases simétricas e isomorficamente inversas que se aniquilam umas às outras num frenesim irracional e desmedido.

            Nesta reunião do Museu do Ser-Humano alguns participantes recordaram muitas referências que apontavam este facto. Dessas todas, escolhi aqui partilhar as seguintes três:

 

A incredulidade das metanarrativas” (Lyotard)

 

"O historicismo confundiu erradamente «interpretações» com «teorias». É possível, por exemplo, interpretar a História como a «história da luta de classes», ou como a «história da luta pela supremacia», ou como a «história da luta pelo progresso científico e industrial». Todos estes pontos-de-vista são interessantes, e perfeitamente plausíveis. Mas os historicistas não os apresentam como tal. Não aceitam que existem, necessariamente, uma pluralidade de interpretações equivalentes (mesmo que algumas delas possam ser mais interessantes do que outras devido à sua fertilidade). Em vez disso, apresentam-nas como doutrinas ou teorias, afirmando que toda a História, por exemplo, é a «história da luta de classes», ou da «luta pela supremacia”, ou do «progresso científico e industrial», etc. Os historiadores clássicos que se opõem, com razão, a este processo, acabam por cair noutro erro, pois, nesse desejo de serem «objetivos e imparciais» e de evitarem qualquer ponto-de-vista seletivo, como isso é impossível, acabam por adoptar também pontos-de-vista sem se aperceberem de que o estão a fazer." (Karl Popper, 1956, “A miséria do Historicismo”, in Paul Veyne “Como se escreve a História”, col. Points, Seuil, Paris, pp.148-150)

 

Tal como M. Sahlins referiu, o ‘Ocidente’, depois de, antes, a ter feito, atualmente, compraz-se com a visão de uma história colonial, como se tratasse de um confronto maniqueísta entre os povos indígenas e as formas imperialistas. Na expectativa de ver, qual será capaz de se apropriar culturalmente do outro, em vez de explorar a zona intercultural onde as diferenças são colocadas ao serviço das práticas e das intenções políticas.” (Laumonier, 2007, Art Press n.º 336, p.67).

 

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 

 


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