Lista museum

Mensagem

[Museum] Efemérides do Património Cultural da ULS São José – LXXV

Subject :   [Museum] Efemérides do Património Cultural da ULS São José – LXXV
From :   Visitas Património | ULS São José <visitas.patrimonio@ulssjose.min-saude.pt>
Date :   Fri, 22 May 2026 15:00:21 +0000

Efemérides do Património Cultural da ULS São José – LXXV

O Hospital Real de Todos-os-Santos foi construído por iniciativa do rei D. João II, tendo em vista, entre outros,

a centralização da assistência médica e assistencial em Lisboa. A primeira pedra foi lançada a 15 de Maio de 1492. Foi há 534 anos.

 

 

Na Lisboa do final do século XV existiam diversas instituições de apoio médico e assistencial.

De diminuta dimensão para uma população que não parava de aumentar, quase todas funcionavam com escassos recursos humanos e financeiros,

numa época em que muitas doenças não tinham ainda tratamento eficaz.

 

A criação do também chamado Hospital del’Rei tinha como principais objectivos aumentar a capacidade assistencial, anexando grande parte daquelas instituições,

centralizando a assistência e saneando as suas contas. Uma vez que a maioria das instituições existentes estavam associadas a irmandades oficinais e confrarias religiosas,

tendo como designação o seu santo patrono, optou-se por designar o Hospital Real como de Todos-os-Santos.

 

Inspirado em outros hospitais europeus contemporâneos, o novo hospital apresentava planta subquadrangular,

organizada em torno de quatro pátios definidos por um corpo central cruciforme. A fachada principal, virada para o Rossio, era sustentada por uma arcaria que se prolongava

pelo dormitório do Convento de São Domingos, erguido no reinado de D. Manuel I. No centro desta fachada ficava a monumental igreja do hospital, precedida por uma grande escadaria.

Enquanto nos pisos superiores estavam as enfermarias, no piso inferior funcionavam vários serviços de apoio, como a cozinha e a botica, além de outros armazéns,

assim como a casa dos expostos e um albergue para peregrinos e mendigos. Era também nesta zona do hospital que ficavam as residências dos funcionários.

 

Ao longo da sua história, o edifício sofreu sucessivas obras de ampliação, que acabaram por ser uma constante no seu quotidiano, ocupando outros espaços em redor,

como o Convento de São Camilo Lélis ou o Palácio dos Condes de Monsanto. O número reduzido de enfermarias ao tempo da fundação ascendeu às quase duas dezenas em meados do século XVIII.

 

Parte destas obras foram também devidas aos danos provocados pelos incêndios de 1601 e de 1750, que obrigaram a grandes campanhas de reconstrução.

O Terramoto de 1755 afectou, uma vez mais, gravemente o edifício, tendo as obras de recuperação começado poucas semanas depois.

 

Embora a sua manutenção estivesse prevista nos planos de reconstrução da Baixa Pombalina, os trabalhos no Hospital Real foram subitamente suspensos em 1769,

data em que já se encontravam a funcionar cerca de vinte enfermarias. Por ordem régia, após as devidas obras de adaptação,

o hospital foi então transferido para o antigo colégio jesuíta de Santo Antão-o-Novo, passando a chamar-se Hospital Real de São José.

 

A demolição do edifício, assim como os aterros da reconstrução da Baixa Pombalina, levaram ao desaparecimento das ruínas,

que só voltaram a ser vistas nos anos 50 do século XX. Primeiro na abertura de uma cave no Restaurante Irmãos Unidos e depois,

durante as obras do Metropolitano na Praça da Figueira, já na década de 60. No final daquela centúria, a construção de um parque de

estacionamento subterrâneo voltou a expor os vestígios do desaparecido Hospital Real de Todos-os-Santos.

 

 

 

Imagem: Escadaria do antigo Hospital Real de Todos-os-Santos encontrada em obras no Restaurante Irmãos Unidos.

Armando Maia Serôdio, 1953. Arquivo Municipal de Lisboa – CML.

 


Mensagem anterior por data: [Museum] Evento cancelado: [Archport] Conferência 27 de Maio | Secção de Pré-Histór... @ ter. 26 Mai. 2026 (museum@ci.uc.pt) Próxima mensagem por data: [Museum] Ficheiro Epigráfico 289
Mensagem anterior por assunto: [Museum] Dia Internacional dos Museus - 19 maio | Inauguração da exposição “Trigo na Eira, pão na masseira. Uma história do pão na Amadora” Próxima mensagem por assunto: [Museum] Elogio a Jorge Custódio e Luís Raposo: a propósito da cenarização do Património para valorizar o mercado imobiliário