“Do atentado político a Salazar decorreu a obrigação imposta aos funcionários públicos de assinarem um telegrama repudiando tal atentado. José Marinho não assinou, e subscreveu sozinho um outro texto, o que lhe valeu a expulsão do magistério oficial em termos tais que ele e um monárquico, foram os únicos funcionários do Estado que, nunca viram publicado um decreto a possibilitar a sua reintegração. Expulso do Magistério, José Marinho também esteve preso alguns meses no Limoeiro. O médico Manuel H. Leitão, contava que Marinho em momento algum deixara de manter a mesma alegre disposição. “Logo de manhã a manifestava, ao fazer a barba à janela de grades, cantando árias de óperas” (p.39) … “Viveu sempre na cidade e era um homem de cidade. Nunca foi ao estrangeiro, a não ser, numa excursão de domingo, a Sevilha, quando era professor no liceu de Faro, e dizia que o fizera enganado pelos colegas que o haviam convidado para um almoço numa localidade vizinha. José Régio, que também nunca foi ao estrangeiro, lembrava, a abrir «A Sarça Ardente», obra-prima da poesia contemporânea: “O mundo é vasto mas repete-se, e é fácil esgotá-lo” (p.42) … “Nos últimos 15 anos de vida, conseguiu enfim libertar-se das «explicações» e do calcorreio diário das ruas de Lisboa por ter obtido, muito esforçadamente, um emprego na Fundação Calouste Gulbenkian.” (in Revista «Cultura Portuguesa» n.1, Agosto-Setembro 1981, Secretaria de Estado da Cultura, direção de Afonso Botelho e Lima de Freitas, Biblioteca Nacional, Lisboa, p.42). |